Muitas empresas têm indicadores. Poucas gerem por eles. A diferença não está no painel, está no que acontece depois que alguém olha o número.
O problema
Os sintomas são conhecidos:
- planilhas e painéis que ninguém abre;
- reuniões em que se comenta o número e nada muda;
- cada área com um número diferente para a mesma coisa;
- metas definidas no começo do ano e lembradas no fim.
O indicador virou relatório: descreve o passado, mas não muda o futuro.
Por que acontece
- Indicadores demais. Quando tudo é medido, nada é prioridade.
- Indicadores sem dono. Se ninguém responde pelo número, ninguém age sobre ele.
- Dado pouco confiável. Quando a primeira reação ao número é duvidar dele, a reunião vira discussão sobre a planilha.
- Nenhuma rotina de análise. O número é publicado, mas não há um momento definido para perguntar "por quê?" e "o que vamos fazer?".
Como transformar indicador em decisão
- Escolha poucos. Comece pelos indicadores-chave ligados aos objetivos da empresa e aos processos principais: entrega, qualidade, margem, caixa, vendas, pessoas.
- Defina cada um por completo: fórmula, fonte do dado, responsável, frequência e meta. Sem isso, cada pessoa calcula de um jeito.
- Crie a rotina. Uma reunião curta, com data fixa, em que cada responsável apresenta o número, explica o desvio e propõe a ação.
- Todo desvio gera ação. Com responsável e prazo, num plano simples como o 5W2H.
- Volte na ação. Na reunião seguinte, a primeira pergunta é: a ação foi feita? O número reagiu?
É o PDCA em ritmo de gestão: planejar, executar, checar e agir, todo mês.
Exemplo de pergunta que muda a reunião
Em vez de "o prazo de entrega caiu para 88%", a pergunta passa a ser: "quais pedidos atrasaram, por qual motivo e o que muda a partir de amanhã?". O número é o mesmo. A gestão é outra.
Por onde começar
Escolha três indicadores para os próximos três meses, defina dono e meta e marque a primeira reunião. É melhor três números que viram decisão do que trinta que viram relatório.
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